A publicidade sempre teve o condão de despertar polémicas e de afrontar os taboos sociais que em determinado momento prevalecem sobre uma cultura. E sempre, quando tal acontece, a discussão sobre o que deve ser permitido “dizer” na hora de publicitar um produto ou serviço é despertada. De um lado aqueles que defendem que acima dos interesses publicitários estão a moral e os bons costumes (desde que definidos por si), do outro os partidários da liberdade de opinião como valor essencial para uma vivência democrática.
A revista Deutsch Magazine lançou recentemente uma campanha onde uma mulher aparecia em cenas eróticas com um pastor alemão. Desde logo houve quem se insurgisse contra a apologia do bestialismo que tais anúncios supostamente invocavam. Em sua defesa os criativos da agência responsável, a Jung Von Matt, assumiram o carácter provocatório da campanha como propositado no sentido de aumentar a controvérsia. Um pouco como o caso da Tagus e do Orgulho Hetero. Veja os anúncios em baixo:
Agência: Jung Von Matt, Alemanha
Via: 1oAD
Tal como afirmei no meu post sobre a campanha da Tagus, não vejo qualquer inconveniente no desafiar da taboos e do politicamente correcto em trabalhos publicitários, desde que estes tenham em conta o eventual prejuízo daí inerente para a marca em causa. Neste caso concreto, os criativos e o cliente tinham a perfeita noção do quão provocatória era a campanha e dos anticorpos que iria activar em termos sociais. Ainda assim, optaram por seguir com ela por consideraram que os benefícios em termos de exposição mediática compensariam o risco. Resta referir, que toda a campanha foi pensada e desenvolvida por mulheres, para quem queira ver nestes anúncios algo de sexista.
E o leitor o que pensa? Deve a publicidade ultrapassar as barreiras do politicamente correcto quando tal lhe for proveitoso, ou deve cumprir zelosamente aquilo que é socialmente estabelecido como certo?




Eu acho que cada vez mais vezes a publicidade esquece totalmente o produto ou serviço. O que interessa é chamar a atenção, como por exemplo os anúncios da Cofidis que inundaram os jornais gratuitos. Toda a gente se lembrar das poses de ginástica divertidas, mas sobre o serviço anunciado…
É a “economia da atenção” a funcionar em pleno! Há que “apanhar” o potencial consumidor para lhe poder exibir o produto. Mas como diz, e bem, a verdade é que na ânsia de criar o chamariz ideal, muitas agências e marcas estão a esquecer-se de comunicar o fundamental.