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A Morte das Page Views

Julho 31st, 2007 by Bruno Ribeiro

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A decisão da Nielsen/NetRatings de abandonar as Page Views como métrica essencial para definir a relevância/importância de um site, provocou uma série de reacções pela blogosfera. Não faltaram garantias de se tratar de uma medida que peca por tardia e que finalmente nos podemos despedir das Page Views. Como nunca avaliei o meu blog - ou qualquer outro site - com base nesta métrica não irei sentir a sua falta. No entanto, acho que se por um lado o abandonar das page views como barómetro central da medição web é positivo, creio que o abandono completo da mesma é um erro. Podem não ser a métrica perfeita, mas continuam a ter valor intrínseco que importa avaliar.

É verdade que cada vez menos as page views são capazes de fornecer uma visão correcta do que se passa na web, mas não é por isso que deixarão de ser úteis, sobretudo do ponto de vista dos anunciantes - que é para quem estas métricas se dirigem afinal de contas. A nova métrica em uso por parte da Nielsen, o tempo passado num site, está mais de acordo com os novos modelos de sites que utilizam - predominantemente AJAX e Flash. Mas ainda assim tem deficiências que a impedem de se tornar “perfeita” e que não desaparecerão tão cedo. Como acontecerá com qualquer outra medida que entretanto for introduzida.

Como em muitas outras coisas, o problema aqui não é propriamente do material usado mas sim de quem o usa. Tentar medir um meio dinâmico através de uma única medida é um erro! A forma mais correcta de o fazer - correcta e não infalível - é através da integração de dados: page views, tempo médio passado no site, unique visitor, returning visitors, subscrições de feeds, links… Só assim se poderá ter uma noção mais aproximada da realidade. Quando aqui procurei fazer um ranking de blogs portugueses, tive em conta vários tipos de medidas e procurei intregrá-las num único valor. Trata-se de um processo moroso e complicado, está imbuído de enorme subjectividade, mas sempre é mais correcto do que avaliar com base apenas num único dado.

Num próximo post irei abordar de forma mais cuidada esta problemática da medição aplicada aos blogs.

Posted in Blogs

3 Responses

  1. Paulo

    Bruno, de acordo no ponto da diversidade de dados e sua análise conjunta. Só assim se pode medir o que quer que seja em termos da web.
    O tempo passado num site peca praticamente dos mesmos defeitos dos pageviews, enquanto filtro de análise. Ou de unique visitors (outra falácia regular destas medições). Um site optimizado para “reter” o leitor pode fazer com que ele passe lá um bom par de minutos, sem que isso significe uma maior capacidade de ler os anúncios, ou de os respeitar (que é o que interessa aos anunciantes).
    Não é por acaso que um dos sites onde cada frequentador passa mais tempo — o Hi5 — tem publicidade baratíssima, quando comparada com outros canais.
    Pessoalmente, considero os pageviews relevantes, mas cruzo-os com o número de leitores e com outros factores. Ter 1,1 pageviews por visita está longe de ser bom, mas ter 4 pageviews por visita também pode não ser bom, depende do contexto e do tipo de conteúdos ou serviços do site em questão.
    Por outro lado, há as “novas” formas de distribuição de conteúdos. Os assinantes regulares, via feed e mail, não surgem nas medições tradicionais mas têm importância crescente. No meu blogue, por exemplo, num ano passaram de uns irrelevantes 1 a a 2 por cento do total de leitores, há 8 meses, para mais de 40% hoje. Não são contabilizados pelos Sitemeters e Analytics, quase não vêm os anúncios — mas estão lá, são meus leitores e tenho de os levar em consideração.
    O assunto das medições web é dos mais complexos, interessantes — e controversos, que podemos encontrar na web.

  2. Paulo

    se analisarmos as tendências da publicidade contextual, vemos que os anúncios valem pelo potencial das páginas e da sua relação com o leitor.
    Dito de outra forma, com exemplos práticos: tenho um blogue de grande tiragem que “faz” muito menos dinheiro em publicidade do que um outro, de nicho estreito, mas onde os anúncios valem muito mais.
    Eu não sei, ainda, o que pretende a Nielsen, mas para já parece-me está a ceder às pressões de alguns dos novos opinion-makers da praça, que decretaram o fim das pageviews por razões tecnológicas (a questão do dinamismo das páginas, que até refrescam parcelarmente, é crucial para isto).
    Sendo evidente que como medida é frouxa, temos no entanto de levar em consideração que a web não é toda “2.0″, que os sites de ponta são uma minoria e que a grande, muito grande maioria das páginas lidas ainda o é — e será por muito tempo — dentro de uma lógica de página.
    Para concluir o meu raciocínio: não nos despediremos das pageviews como método, teremos é, de slguma forma, um aperfeiçoamento de metodologia integrando os pageviews com diferente peso consoante o tipo de site que estamos a medir.

  3. Bruno Ribeiro

    Totalmente de acordo Paulo. A mudança para “o tempo passado no site” como forma de medir o engagment parece-me claramente uma cedência a opiniões externas, mas também uma forma velada de favorecer algumas empresas. Com esta métrica, a AOL passa para primeiro graças ao seu IM, o Google decai para sexto porque tem o seu sistema montado para a eficiência e não para “prender” os utilizadores num único site.

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