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Correlação e Causalidade

Agosto 21st, 2006 by Bruno Ribeiro

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Na edição de hoje do Jornal de Notícias podemos encontrar uma notícia acerca de um estudo que avaliou o impacto da visualização de programas de Wrestling nos comportamentos agressivos de adolescentes. De acordo com os resultados do mesmo, os adolescentes que assistem a este tipo de programas “são mais passíveis de comportamentos agressivos entre si”; mais relevante é o facto de a diferença entre adolescentes que assistem a tais programas e aos que não assistem ser superior nas raparigas. A notícia termina com o alerta dos autores para os pais e educadores:

É mais fácil para os pais e educadores pensarem que os filhos adolescentes são pequenos adultos, mas não são. Sabemos que os seus cérebros estão ainda em formação e expor crianças e jovens a violência extrema nos média pode influenciá-los

JN, 21.08.2006

Uma conclusão lógica deste tipo de raciocínio seria que se os pais não permitirem aos seus filhos adolescentes assistirem a programas de wrestling, o número de comportamentos agressivos destes irá diminuir, certo?

Nem por isso! Para analisar este tipo de dados convenientemente é necessário saber distinguir entre correlação e causalidade. Uma correlação indicia a existência de uma relação entre as variáveis na qual os valores das mesmas alteram-se simultaneamente; quando falamos em causalidade referimo-nos à influência quem uma dada variável assume sobre outra. Ou seja, quando existe causalidade reportamos que a variável X é causa das alterações registadas na variável Y. Por outo lado, a existência de uma correlação entre X e Y pode significar X tem influência sobre Y, que Y influi sobre X, ou que a relação entre ambas se deve a uma variável Z, ou a um conjunto de outras variáveis não tomadas em consideração (AxBxC). Isto porque uma correlação não nos indica a direccionalidade da mesma, apenas o modo como as variáveis se movimentam: p. ex. quanto mais X menos Y.

Aplicando estas noções ao estudo em questão temos que, a relação verificada entre “assistir a programas de wrestling” (variável X) e “quantidade de comportamentos agressivos” (variável Y) pode-se traduzir em uma das seguintes conclusões:

  1. Assistir a programas de wrestling aumenta a incidência de comportamentos agressivos nos adolescentes;
  2. A incidência de comportamentos agressivos entre adolescentes aumenta a probabilidade de estes assistirem a programas de wrestling;
  3. O nível sócio-económico (variável Z) parental prediz a probabilidade de assistência a programas de wrestling e incidência de comportamentos agressivos em adolescentes;
  4. A probabilidade de assistir a programas de wrestling e de incidir em comportamentos agressivos, por parte de adolescentes, é produto do seu rendimento escolar, meio sócio-económico e estrutura familiar (variáveis AxBxC).

Isto não quer obviamente dizer que o assistir a programas de wrestling não leve ao aumento de comportamentos agressivos através de mecanismos imitativos, como sucedo no caso do “backyard wrestling“. Significa apenas que não se pôde abordar uma possível relação causa-efeito de um modo tão simples e directo sem ter em conta a concomitância de outras variáveis. Isto é tanto verdade para quem estudo a influência de programas televisivos no comportamento adolescente, como para quem perora sobre a causalidade da situação palestiniana sobre o terrorismo islâmico. Curiosamente, os autores deste estudo têm isso em conta (apenas?) na explicação dos resultados para as raparigas:

A equipa não conseguiu explicar as razões para esta última associação, mas especulam que uma das razões pode ter a ver com raparigas que já têm comportamentos agressivos e que gostam de ver programas que confirmem este tipo de comportamentos. Ou então pelo facto de os rapazes estarem mais predispostos para estes comportamentos e a diferença, entre os que vêem e os que não vêem os programas, ser menor.

JN, idem

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One Response


  1. [...] Os resultados apresentam a existência de uma correlação positiva forte (para quem não está familiarizado com o conceito de correlação) entre linking blogs e média de visitas (r=,62), entre inbound links e média de visitas (r=,59) e, como seria de esperar, entre linking blogs e inbound links (r=,86). Isto significa, traduzindo os dados em coeficientes de determinação (quadrado do coeficiente de correlação), que 38% da variância da média de visitas a um blog pode ser predito pelo número de blogs que aí linkam, enquanto que o número de inbound links prediz cerca de 35% dessa mesma variância. Na relação entre inbound links e linking blogs, o valor preditivo de uma variável na outra é de 74%. (Remeto os leitores para o post Correlação e Causalidade por forma a interpretar correctamente estas afirmações) [...]

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