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A respeito deste artigo, onde é citado um estudo de Elísio Estanque e Rui Bebiano, gerou-se alguma celeuma contra a Praxe Académica pela blogosfera nacional (pelo menos na que eu leio diariamente) com destaque para o Blasfémias e para A Origem das Espécies de Francisco José Viegas. As opiniões expressas em ambos, e nas caixas de comentários, não são do interesse deste post; embora esteja profundamente em desacordo com as mesmas e um pouco desapontado pela ’superioridade moral’ apresentada em alguns casos (Disclaimer: sou a favor da Praxe; fui praxado e praxo na faculdade que frequento [FPCEUP]; sou contra qualquer tipo de violência em Prax; e acredito que se trata de um ritual de integração e companheirismo onde se travam grandes amizades, pelo menos comigo assim se passa).
O centro deste post é a ‘iliteracia’ selectiva (não extrapolem daqui qualquer tipo de insulto) que por aí anda, a começar pelo foco do próprio artigo. Ora é dito que quase um terço dos estudantes de Coimbra são a favor de ‘praxe violenta’; isto é o mesmo que em relação às últimas presidenciais dizer que quase 50% dos portugueses não votou em Cavaco Silva, e fazer disso o tema de conversa! Se quase um terço é a favor, significa que dois terços são contra, ou seja a maioria. Obviamente que isto não quer dizer que não se deva ter em atenção o terço que se mostra favorável às práticas; importa saber quem são e o porque são a favor.
Um mesmo raciocínio pode ser feito relativamente ao facto de 29,6% utilizarem automóvel pessoal (que pelos vistos é um crime para estudantes universitários). Este foi já um argumento usado de forma perversa para justificar o aumento das propinas (quando se podiam usar outros bem mais justos), esquecendo os 70% que não possuem automóvel pessoal. Uma vez mais coloca-se o foco na minoria para ‘atacar’ o todo. Outra forma de selectividade que se vai disseminando é o da generalização abusiva destes resultados: de uma amostra representativa de estudantes da Universidade de Coimbra, extrapola-se para o universo de estudantes universitário portugueses; embora também aqui haja quem exclua da extrapolação os estudantes universitários aqueles que não aderiram à Praxe!
Por muito que dê jeito aos nossos argumentos aproveitar apenas parte dos dados, o ético é fazer um relato da sua totalidade; algo que manifestamente não foi feito neste caso por muito boa gente!
De seguida falarei de algumas falhas metodológicas que o artigo do JN deixa a entender.
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