Maquilhar os Números
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Na ânsia de atrair mais - e também maior e melhor - publicidade, os vários jornais e revistas procuram mostrar aos potenciais interessados que são “líderes” globais ou em termos de um ou outro segmento. A revista Meios&Publicidade de ontem (nº425) está repleta deste tipo de publicidade; sendo que um dos anúncios captou-me a atenção porque facilmente se consegue descortinar uma pequena manobra de maquilhagem nos números para torná-los mais agradáveis.
O anúncio em questão é da revista “Nova Gente” que procura “desmistificar” a ideia de que a “Caras” é líder. Para isso são apresentados dados do BAREME (suponho que da Marktest) para o último trimestre de 2006 que representam, comparativamente, o número de leitores de cada uma das revistas para diferentes classes sociais. O anúncio termina com um claro “A Nova Gente supera a Caras, qualquer que seja a classe social!”! Ora tal é mentira, porque uma simples operação de subtracção nos demonstra que a Caras tem mais leitores na Classe B, mesmo que a Nova Gente tem mais leitores no total e nas classes A e C1.
De acordo com os dados do primeiro gráfico, a Nova Gente tem 40.840 leitores da Classe A contra 23.271 da Caras. No segundo gráfico, são-nos apresentados os dados acumulados das Classes A e B, com a Nova Gente a totalizar 106.813 leitores contra 97.654 da Caras. De uma diferença de 17.569 leitores passa-se para uma de 9.179, o que apenas é possível porque a Caras tem mais leitores da Classe B do que a Nova Gente (74.383 vs 65.973)!
Desde cedo que somos ensinados que mentir é feio; mas, em termos sociais, a verdade é que pior é nem sequer ser capaz de o fazer bem!
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