PubADdict

Doses diárias de publicidade servidas com uma pitada de opinião.

Subscribe to my full feed.

Portugalidade

Agosto 4th, 2006 by Bruno Ribeiro

Se for novo por aqui, aproveite para conhecer o blog e se lhe este agradar subscreva o feed RSS. Obrigado e volte sempre!

Através de um dossier da Marketeer contactei com o estudo do ICEP que está em parte por detrás do Projecto Marca Portugal que está ao cargo da BBDO, e do qual já aqui falei de relance. Confesso que fico realmente apreensivo se qualquer estratégia de marketing for realizada tendo estes dados como suporte! Para começar estamos a falar de um estudo de 1999, o que desde logo requereria que fosse feito um ‘actualização’ do mesmo antes de se ter em conta os dados aí contidos.
Mas aquilo que mais me causa ‘espécie’ é o assumir-se que um estudo de associação de simbolismos a um conceito, no caso ‘Portugal’, esteja a ser encarado tendo por base uma metodologia que apenas mede notoriedade e latência. Quando se pergunta a uma pessoa que cor associa a um dado objecto-social, esta irá relata a que se encontra mais acessível ao seu julgamento. Ora a acessibilidade apenas se refere à facilidade com que a associação é actividade da memória do indivíduo, podendo estar relacionada à força da associação mas também as questões como a aprendizagem da associação ou à frequêncida da mesma sendo que a acessibilidade pode ser despoletada por variáveis contextuais. É possível que uma pessoa que tenha acabado de ver a a bandeira portuguesa tenha o vermelho e o verde como cores mais salientes, mesmo que em sua opinião seja o azul a cor que mais caracteriza Portugal.

E isto é tão válido para cores como para todos os outros factores usados no estudo. Não quer isto dizer que sejam dados obsoletos, antes pelo contrário tratam-se de resultados que podem ser aproveitados para um estudo mais aprofundado e com uma metodologia mais condizente com os objectivos.

Um caso específico será o do factor “Tipo Psicológico”: embora surja “Melancólico” como o tipo mais referido, a verdade é que apenas 6,4% dos inquiridos o referiu já que cerca de 38,7% optou por não responder a esta questão. Aquilo que deveria/deverá ser feito num novo estudo é seleccionar os cinco tipos mais referidos e pedir aos inquiridos que os avaliam em termos de caracterização de Portugal; ou seja, perguntar aos inquiridos em que medida é que o tipo psicológico “Melancólico” caracteriza Portugal numa escala numérica (de preferência de 7 pontos).

Desta forma a taxa de ‘não-respostas’ será menor e será possível comparar as atribuições que os inquiridos fazem a cada atributo, calculando-se no final as médias das avaliações e obtendo-se assim de facto qual o atributo para cada factor que os inquiridos associam a Portugal.

Uma outra questão que me parece ter sido descurada neste estudo é a do erro amostral. Para uma amostra de 375 sujeitos, estaremos a falar de um erro na ordem dos 5,06% o que tem claras implicações para a análise dos resultados. Senão vejamos, os autores mais referidos foram Fernando Pessoa (25,6%), Luís de Camões (24,8%) e José Saramago (20,5%); significando isto que o poeta setubalense foi o mais associado. Mas, recorrendo ao erro verificamos que a percentagem para pessoa pode variar entre cerca de 20% e cerca de 30%; uma variação de cinco pontos percentuais que pode obviamente alterar os resultados colocando um outro autor como o mais referenciado.

Resumindo, o estudo é uma excelente ideia mas foi feito de uma forma que poderia ser afinada extraindo-se daí melhores resultados, sobretudo mais fiáveis. Não sei até que ponto o projecto está a ser alicerçado nestes resultados, mas uma reformulação do estudo impunha-se para uma vez mais não sair o ‘tiro pela culatra’!

Tag: Market Research technorati_logo sapotags_logo marcantes_logo destakes_logo favoritos_logo delicious_logo wordpress_logo

Posted in Market research

Leave a Comment

Please note: Comment moderation is enabled and may delay your comment. There is no need to resubmit your comment.