Referendo e Sondagem
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Relativamente à sondagem apresentada em conjunto pelo Público/RTP/Antena 1 sobre a interrupção voluntária da gravidez algumas considerações:
1. A questão acerca de como deve ser decidida uma alteração à lei do aborto era escusada, porque tendo o poder político decidido ser essa a forma de o fazer é natural que as respostas estejam desde já condicionadas por essa decisão;
2. Quando se questiona acerca das situações em que o aborto deve ser legal, seria importante informar quem lê os resultados de qual o tipo de resposta que foi apresentada aos inquiridos: foram realizadas questões separadas?; tratou-se de respostas sequencias em caixa?; as respostas eram dicotómicas?; a taxa de resposta foi de 100% para todas as hipóteses?;
3. Ainda na mesma questão fica por comunicar um aspecto crucial: houve rotação das situações? E se não houve qual a ordem por que foram apresentadas? É que é um facto estabelecido que as questões precedentes influenciam as respostas e a interpretação das subsequentes. Aliás um típico exemplo na literatura é o de um inquérito acerca do aborto onde a taxa de concordância com o aborto em casos em que a mãe não quer ter o filho era inferior quando colocada no questionário após questões relativas à possibilidade de abortar devido a deficiências genéticas do feto. Isso obviamente se deve ao efeito de comparação onde após concordar com uma situação em termos de gravidade mais elevada, torna-se mais difícil de “aceitar” uma outra que pode ser encarada quase com um “capricho”.
4. Por fim, uma questão não relacionada com o inquérito em si mas com as conclusões apresentadas pela jornalistas: como é que se pode dizer que uma diferença de 32%, para uma margem de erro de 2,7% com 10% de indecisos, é reduzida?
Tags: Market Research
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