Harry Potter e a Magia do Marketing
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Há meia-noite e um minuto de amanhã fecha-se um ciclo iniciado à precisamente 10 anos quando a editora inglesa Bloomsbury decidiu editar o primeiro livro de uma autora desconhecida: Harry Potter and the Philosopher’s Stone de JK Rowling. Hoje em dia as obras de Rowling que acompanham o jovem feiticeiro na sua formação académica mágica, são dos livros mais lidos a nível mundial e a prová-lo está o facto do tão aguardado Harry Potter and the Deathly Hallows, que marca o fim da série, ser desde o momento em que o seu nome foi conhecido o líder da lista de livros mais vendidos da Amazon! A marca Harry Potter cresceu e fez a sua incursão na sétima arte, onde vai alcançando sucessos, ainda que distantes dos feitos que a obra em papel tem conseguido. A semana passada marcou a estreia do 5º filme da saga de Harry, Harry Potter and the Order of the Phoenix. Já este ano foi anunciado um parque temático baseado no mundo criado por Rowling da parte da Universal Studios em Orlando.
Interessa por isso pensar como começou todo este movimento em torno de um livro que muitas vezes chegou a ser desconsiderado pelo facto de ter como personagem principal um adolescente.
Obviamente que sem o talento de Rowling nada disto seria possível, mas há que também reconhecer o mérito da estratégia de marketing adoptada pela editora inglesa antes da obra ser reconhecida internacionalmente. Em 1997, quando o primeiro livro foi lançado, a Bloomsbury optou por uma estratégia baseada pura e simplesmente no word-of-mouth: 500 cópias do livro foram distribuídas numa escola londrina, escolhida pelo facto dos seus alunos serem considerados como trendsetters na faixa etária para a qual o livro se dirigia primariamente. Este pequeno gesto foi o suficiente para despoletar uma epidemia que rapidamente se espalhou pelo planeta tornando os livros de Rowling em best sellers.
Mas atribuir apenas este sucesso ao movimento de word-of-mouth gerado seria simplificar as coisas; até porque o intervalo de tempo entre o lançamento de duas obras tem sido cada vez maior o que poderia levar a uma perda do interessa no tema, o que não se tem verificado. O interesse em Harry Potter é certamente maior aquando do lançamento de um novo livro ou da estreia de um novo filme, mas a verdade é que se tem mantido elevado mesmo nos períodos “mortos” muito por culpa da legião de fãs da obra e das comunidades online que se formaram em torno da obra de Rowling e que mantém viva a discussão e o interesse em Harry Potter e as suas aventuras. Há que também reconhecer o trabalho da autora que se tem mostrado extremamente disponível para com os seus fãs, através de entrevistas e sobretudo através do seu site pessoal, revelando em primeira mão aos seus leitores novas informações acerca dos livros ou do Universo que criou. A forma escolhida para a divulgação do nome do último livro atesta bem o interesse e dedicação da autora aos seus leitores, bem como uma sábia utilização do potencial interactivo da Internet: no dia 21 de Dezembro quem acedesse ao site de JK Rowling poderia jogar o jogo do “Enforcado” e tentar descortinar o nome do sétimo livro. A forma como Rowling lida com os seus fãs é uma lição de CRM que muitas empresas deveriam estudar e procurar seguir o exemplo.
O sucesso de Harry Potter surge também porque os leitores são convidados a acompanhar o crescimento do jovem feiticeiro. Este tipo de abordagem levou inclusive a que um grupo de economistas franceses cunhassem o termo “Harry Potter Brands” para descrever as marcas que cumprem este padrão de acompanharem os seus consumidores ao longo do seu ciclo de vida.
Relembro uma vez mais que sem o talento de JK Rowling, o sucesso da obra não seria possível mesmo com todas as estratégias de marketing criadas em seu redor. Mas este é um exemplo de como quando o produto é bom, e o marketing segue o mesmo caminho o sucesso é praticamente certo.
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