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iPhone e a Convergência

Setembro 13th, 2007 by Bruno Ribeiro

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Ando há algum tempo a querer escrever um post sobre as contínuas previsões de Al e Laura Ries do fracasso do iPhone à luz da sua teoria da convergência, mas a falta de tempo e/ou de vontade têm adiado o mesmo. Mas o Armando Alves deu-me o estímulo necessário ao destacar o anúncio da venda de 1 milhão de iPhones em 74 dias como prova do sucesso da Apple. Isto causa alguns problemas à previsão dos Ries que continuam firmes de que o “brinquedo” convergente de Steve Jobs será um fracasso. Em boa verdade tenho que dizer que também me enganei quanto ao sucesso do mesmo, embora possa dizer em minha defesa que, mesmo com o volume de vendas alcançado, continuo a acreditar que o iPhone teria um sucesso maior caso a Apple tivesse optado pela tecnologia 3G e o vendesse desbloqueado à rede. Mas aquilo que eu quero mesmo discutir neste post é a teoria da convergência (ou mais correctamente da divergência) proposta pelos Ries no seu livro “Origin of Brands”.

A teoria da divergência é, tal como o título do livro, “emprestada” das leis de selecção natural propostas por Darwin no séc. XIX; de facto, todo o livro “Origin of Brands” não é mais do que uma aplicação das leis de Darwin ao marketing. O processo de divergência, cientificamente designado de cladogênese, ocorre através da diferenciação das espécies relativamente aos seus antepassados formando uma nova linha evolutiva, contrastando com a anagênese ou mudança gradual. Os Ries defendem que é através deste processo que uma marca se pode estabelecer como líder de um mercado, e que é através da divergência que se promove a evolução e inovação dos produtos (o que se trata de um reducionismo). A explicação avançada por Al e Laura para o porquê ser importante contar com a divergência é totalmente justificada; já a tendência para colocar a convergência de parte parece-me completamente desprovida de sentido.

Sobretudo porque os Ries se limitam a demonstrar o “falhanço” da convergência com exemplos como carros-avião ou frigoríficos com televisão incluída. No resto limitam-se a demonstrar como um produto convergente é inferior à soma dos produtos agregados, o que equivale a uma perda na qualidade.

Mas o que mais me desagrada na teoria, é a forma como os exemplos de sucesso da convergência são justificados: conveniência! O telemóvel com câmara apenas teve sucesso porque é conveniente. Mas é isso precisamente que está na origem da convergência: a conveniência para os consumidores! Um telemóvel com câmara é conveniente porque evita ter de andar com um telemóvel e uma câmara fotográfica diariamente; o canivete suiço é conveniente porque permite não ter de andar com 10 ou 15 instrumentos diferentes atrás, embora o seu desempenho numa tarefa específica seja claramente inferior ao de um instrumento desenhado especificamente para essa tarefa.

Os vários exemplos dados pelos Ries não falharam, apenas e só, por serem convergentes, mas sobretudo porque não representavam nenhuma conveniência para os consumidores, não tinham em si qualquer valor acrescido. Claramente não é o caso do iPhone!

Posted in Marketing

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