O Spiegel tem um artigo, da autoria de Khuê Pham, acerca de como o Second Life está a tornar-se cada vez mais como o mundo real. Já aqui falei do ataque terrorista levado a cabo pelo Second Life Liberation Army, mas a violência entre avatars ocorre diariamente sendo o exemplo destacado no artigo de confrontos entre activistas de extrema-esquerda e partidários do FN o partido de Jean-Marie Le Pen.
Mas os problemas que assolam o Second Life tendem a multiplicar-se seja a queixa judicial que um advogado norte-americano apresentou contra os Linden Labs após o encerramento da sua conta; às questões éticas que muitos vão colocando acerca dos comportamentos sexuais entre avatars, incluindo uma estranha noção de pedofilia – pessoalmente não me parece que se deva considerar pedofilia uma relação sexual entre um avatar adulto e um avatar criança porque: 1) provavelmente o avatar-criança pertence a um adulto na vida real; 2) são bonecos virtuais num mundo virtual!
Obviamente que o Second Life tem aspectos positivos como sejam o abrir de novas oportunidades a quem não as dispões no mundo físico, ou o potencial de interacção entre os seus “habitantes”. Questões como a regulação deste mundo por parte de uma autoridade que não os Linden Labs parece-me claramente desproporcionado e um pouco neurótico; no entanto, e como falamos de quantias crescentes de capital envolvido, a fiscalização em torno dos negócios tornar-se-á essencial.
No fundo, o Second Life vai-se moldando para uma versão fantasiosa da realidade, com os comportamentos a seguirem padrões similares os praticados offline; com a distinção de cada no mundo virtual os limites tendem a esbater-se. Acaba-se a utopia de um mundo perfeito com que muitos sonharam, abrem-se novas oportunidades para todos. No final creio que esta transformação ocorrerá de forma natural e será aceite como normal por todos os intervenientes no processo.
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