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Amadorismo Comunicacional da PJ

Agosto 21st, 2007 by Bruno Ribeiro

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Os últimos 3 meses deram-nos duas situações que me permitiram assistir, com alguma incredulidade, à ausência de uma política profissional de comunicação da Polícia Judiciária. Esses acontecimentos foram o desaparecimento de menina inglesa Madeleine McCann e o aparecimento de um documento alegadamente escrito por agentes da PJ a “denunciar” irregularidades na investigação do caso “apito dourado”. Não me pronunciarei de modo algum acerca da forma como as investigações em ambos os casos têm sido conduzidas, quer porque não tenho informação suficiente para tal, mas sobretudo porque não tenho formação competente para o fazer. Acredito que a PJ esteja a fazer o seu melhor no que à investigação diz respeito; já no que se refere à comunicação o saldo é claramente negativo.


Comecemos pelo caso do desaparecimento de Madeleine McCann, quer por ser uma situação que se vem arrastando ao longo do tempo, quer por ser o caso que pôs claramente a nu as deficiências comunicacionais da PJ. O comportamento da instituição em si não foi nada a que não estejamos habituados em Portugal, com a escusa do segredo de justiça a vir sempre “à baila”, mas como o caso assumiu contornos internacionais seria de esperar que a Polícia Judiciária fosse capaz de lidar com a pressão de uma comunicação social mais ávida em obter informação das autoridades, mas sobretudo habituada a que tal ocorra naturalmente.

Alguém que esteja habituado a assistir aos blocos noticioso britânicos, sabe que é de esperar informações mais detalhadas e esclarecedoras por parte das autoridades britânicas a respeito de qualquer caso que esteja a ser investigado. Seja através de comunicados regulares, entrevistas ou conferências de imprensa, os media recebem por parte da polícia informação acerca do decurso das investigações sem que sejam revelados pormenores relevantes das mesmas. Isso não sucede em Portugal, onde as informações circulam através de fontes não oficiais, dicas anónimas, ou “conversas de bastidores”. O “choque” cultural era inevitável e foram-se sucedendo acusações de um lado e de outro que poderiam muito bem ter sido evitadas caso a PJ estivesse preparada para lidar com casos mediáticos (obviamente que não pretendo minimizar o carácter tabloidesco de grande parte do jornalismo britânico e o impacto que tal tipo de jornalismo teve na existência de tais desentendimentos).

As entrevistas e conferências de imprensa que a PJ se viu obrigada a realizar, demonstraram a falta de treino dos agentes para falarem em público e apenas contribuíram para aumentar a sensação de incompetência que a imprensa internacional vinha alimentando acerca do desempenho da polícia portuguesa.

Passando agora para o caso do dossier anónimo denominado de “apito encarnado”. Uma vez mais é irrelevante para este post se o mesmo é ou não verdadeiro; interessa-me apenas analisar o comportamento de um dirigente sindical (do qual não recordo o nome) numa entrevista concedida a uma estação televisiva (julgo que a RTP) acerca do caso. Disse o dito senhor, num tom despreocupado e de conversa de café, que achava um erro a decisão do Procurador Geral da República em investigar o dito documento já que era evidente o mesmo ser falso, quer porque a linguagem usado não era condizente com a utilizada pelos agentes da PJ (seja lá qual for) quer porque o uso de papel timbrado da PJ não é prova de nada até porque é fácil e rápido falsificar o dito papel.

Resumindo, numa curta entrevista o dirigente sindical da PJ não só coloca publicamente em causa o comportamento do PGR, como anuncia ao mundo como pode falsificar um documento da PJ! Se a Polícia Judiciária fosse uma empresa cotada em bolsa, este senhor tinha acabado de empurrar as acções pelas escadas abaixo aos trambolhões! Parece-me claro que além do treino necessário para o cumprimento das suas funções, seria útil a PJ fornecer alguns seminários e workshops de comunicação aos seus agentes para evitar situações similares.

P.S. Consegui descobrir o nome do dirigente sindical que deu uma entrevista patética acerca do caso do “apito encarnado”, graças a um post de Luís Paixão Martins no seu blog. Trata-se do sr. Carlos Anjos dirigente da ASFIC, que além do que disse na televisão resolveu “informar” certa comunicação social de que o dito documento “poderia” ter sido forjado pela LPM, dando origem a uma investigação sobre a mesma. Afinal o sr. parece saber mais de comunicação com os media do que parecia!

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