Gorjetas de Natal
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Para além das habituais decorações, a época de Natal faz aparecer nos estabelecimentos - sobretudo no ramo da alimentação mas não só - a caixa de gorjetas de Natal. O princípio é simples: embrulha-se uma banal caixa, faz-se uma ranhura na mesma, coloca-se ao lado um cartão de Boas Festas, e espera-se que a época festiva produza uma maior dose de generosidade nos clientes. Faz-se um simples apelo à reciprocidade, em que se procura fazer ver aos clientes que se os funcionários tiveram todo a ano a servi-lo, é agora hora de ser ele a dar algo em troca - de preferência num valor superior ao das gorjetas habituais.
Um plano simples e não intrusivo que tem no entanto uma falha: o embrulho! Compreende-se facilmente a analogia de querer fazer passar a gorjeta como uma prenda de Natal, mas já se indagaram do porquê das caixas de donativos que podemos encontrar em vários centros comerciais por essa país fora serem transparentes? A resposta é simples: para criar uma norma, mostrando aos indivíduos que os outros deram algo!
Quando numa situação ambígua as pessoas procuram pistas no comportamento dos outros no sentido de inferir qual a forma correcta de proceder na situação. Aquilo que o sujeito procura é validar o seu comportamento através da observação ou inferição do comportamento dos outros. Quanto maior e mais forte for a evidência de que a “norma” é a de doar algo - o que pode ser conseguido pelo facto de observar alguém a doar, ou inferido pela quantidade de dinheiro existente na caixa (daí a sua transparência) - maior será a probabilidade do indivíduo assumir esse comportamento.
Aquilo que os funcionários dos estabelecimentos que colocam essa caixa de gorjetas deveriam fazer era o de subsituirem o embrulho por uma caixa transparente, e já agora colocarem eles mesmos algumas “gorjetas” não era mal pensado.
Tag: Social Psychology
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Posted in Psicologia Social




